16 de outubro de 2009

objectos que falam #1




A moldura castanha de madeira escura que abraça a velha fotografia está tão velha quanto ela. Julgo até que estão juntas hoje como sempre estiveram desde o dia em que aquela fotografia a preto e branco foi tirada. Antiga, carcomida e bafienta, já quase não revela a figura que nela, outrora, foi estampada.
Está despigmentada e já só revela um vulto. A sua cara, já quase imperceptível, deixa ainda transparecer os seus contornos arredondados. E a tua farda. E as tuas medalhas.

Mas já não consigo ver os teus olhos doces... Os olhos que só a mim revelavam doçura e carinho. Compreendo que para os outros pudessem apenas revelar frieza, distanciamento e crueldade. Bem sei que o cargo militar que ocupavas e que deu nome a esta família assim o exigia. Mas sinto a falta dos teus olhos doces, que me acalmavam. E tenho saudades tuas, Avô...


foto daqui: http://livrosealfinetes.files.wordpress.com/2009/01/ft_mslmisc_06_l.jpg

15 de outubro de 2009

hoje não é o dia

Há dias em que parece que tudo nos acontece. E há outros em que tudo nos acontece mesmo!

Pensava eu que o pior que me tinha acontecido hoje era ter vindo para Lisboa de manhã e me ter esquecido do telemóvel em casa do G. (que, by the way, vive na Ericeira). Mas não, como se isto não bastasse, eis que também me esqueci das chaves da minha própria casa dentro do meu próprio carro que ficou estacionado à porta de casa... dele!

E o que pode ser pior do que isto??? Só mesmo o facto de não o conseguir contactar porque também ele, pelos vistos, se esqueceu do telemóvel em casa...

E agora, durmo na rua?!?

Hoje não é, definitivamente, o meu dia...

Coisas de que eu não gosto #1

Há coisas de que eu, definitivamente, não gosto.
Ele dizer-me "queres parar com isso? Pareces a minha mãe!" é uma delas.

orgulho nacional

Fui só eu que deixei escapar uma lagrimita ao ouvir 28 mil pessoas a cantar o nosso hino num coro perfeito? É que fiquei mesmo emocionada... arrepiadinha, até.

(e a esperança renasce...)

13 de outubro de 2009

...confissões ao luar...



A noite fria invade-me o quarto. Entra, ao de leve, pela janela pequenina do sótão. Pede-me um cigarro. Faço-lhe companhia na clandestinidade. Partilhamos segredos, desabafos, sonhos perdidos e esquecidos no tempo. Recordamos juntas a solidão que, por vezes, nos assolava e teimava em se instalar dias e dias a fio. Tenho saudades dessas noites...



12 de outubro de 2009

barata tonta


Hoje não estou nos meus dias. Sinto que me começa a faltar tempo. Sinto-o a deslizar por entre os meus dedos, como se da areia mais fina do mundo se tratasse. Começo a ver os meus próprios projectos a engalfinharem-se uns nos outros. Como se de galos se tratassem, numa daquelas típicas e horrendas lutas a que quase assisti em Nusa Lembongan. Onde aquele que não sucumbir, segue em frente...

Bem sei que pode parecer estupidez mas são tantos os sonhos que quero realizar (não imaginam o tamanho da minha to do list) que julgo não ter tempo para os concretizar a todos... na altura ideal.

Porque gostava de tirar o Mestrado mas acho que não o devia fazer antes do casamento... Porque quero fazer uma viagem de volta ao mundo mas só depois do casamento e do mestrado e antes de ter o meu primeiro baby... Porque se casar, tirar o mestrado e fizer a viagem de volta ao Mundo com os intervalos de tempo que mentalmente conjecturo, já será tarde para um primeiro filho... Porque isto e porque aquilo. Porque, aparentemente, por cada uma das coisas que opte fazer, outra se perderá pelo caminho...

E eu tento definir as prioridades. E escolher o que será melhor para mim (nós). E, se por um lado, eu e o G. queremos casar, fazer a nossa rtw (de forma a conseguirmos escolher O sítio onde queremos que os nossos filhos cresçam, com uma vidinha descontraída e de pezinho na areia) e seguir o nosso projecto, por outro lado penso que sentido fará continuar a apostar na minha carreira profissional quando no fim, o que eu realmente quero, é ter um surf camp e um barzinho numa praia algures (ou em nenhures)? 

É por tudo isto que hoje me sinto uma barata tonta... muito tonta...

9 de outubro de 2009

momentos zen


Hoje tive a minha primeira sessão de yoga. Já há muito que queria experimentar e hoje foi o dia.

(yoga é apenas uma de milhares de outras coisas que quero experimentar! Andava há meses a matutar nisto. Ando sempre a querer experimentar coisas novas e a matutar nelas, até que finalmente me decido...). Adiante.

Adorei a aula. Estou zen. Muito zen. Descontraidíssima. (Tão descontraída que nem me apetece trabalhar...) Mas venho de lá meio aborrecida. Um pouquinho desiludida, até...

Era a única aluna nova. Nunca tinha feito uma sessão de yoga (pelo menos, de forma séria). E não me explicaram nada. Nem os chakras, nem os mantras, nem as posições. Nada. E eu pergunto: não era suposto haver uma abordagenzinha inicial para os novatos? Só assim para explicar o significado do yoga e dos conceitos associados?!?
Ou então era eu que já devia ter ido com a lição estudada... O que é certo é que limitei-me a tentar imitar os outros alunos e a professora.. nos exercícios, na respiração, nos sons e posições que faziam... E confesso que estava à espera de algo muito mais espiritual e transcendente...

E, como não estou satisfeita (e não sou pessoa para desistir de nada), vou fazer a minha própria pesquisa e investigação e para a semana experimento novamente com outro professor. Só assim para tirar as teimas...

8 de outubro de 2009







Tenho saudades de dançar debaixo de chuva. De ficar com a roupa colada ao corpo de tão encharcada. De sentir as gotas de água fria a escorregar pelo meu rosto. De sentir a felicidade pueril de ter feito algo que não é suposto...  


7 de outubro de 2009




Perdi ontem a pulseira que me acompanhava todos os dias há cerca de três anos.
E com ela perdi também uma pequena parte de mim....
Estou triste.
Detesto perder coisas!

6 de outubro de 2009

Sandálias à chuva

Acordei cedo. Tinha um trabalho importantíssimo para terminar até à hora de almoço. Espreitei pela janela e vi o chão todo molhado. Dia de chuva, portanto.

Planeio rapidamente o que vestir e, principalmente, o que calçar. (confesso que ainda não fiz a célebre troca de roupas e calçado entre estações e, portanto, os armários lá de casa ainda me presenteiam com outfits leves e descontraídos)...

Decido-me por um vestido e uns sapatinhos lindos que adquiri recentemente. Perfeito!

Não, tudo menos perfeito. Pois no exacto momento em que me preparo para calçar o sapatinho, eis que reparo que o dispositivo do alarme ainda vinha atrelado ao mesmo! Bem sei que as tachas estão na moda mas o cenário era demasiado ridículo.

Agora já estava mega atrasada e tinha MESMO de ir para o escritório.
Alternativa: um outro par de sapatos que tinha lá em casa (mas que têm um salto finíssimo e que me magoam horrores) ou as sandálias prateadas lindas de morrer que me têm acompanhado este Verão e que, além disso, são super confortáveis?

Escolha feita: as sandálias. Escolha deveras ridícula mas a única possível naquelas circunstâncias...

E assim foi, hoje saí à rua de sandálias. Num dia de chuva. E toda a gente olhou para mim. Aliás, para os meus pés. (eu até os compreendo, só uma louca saíria à rua de sandálias num dia como o de hoje!). E senti-me deslocada e só me apetecia enfiar-me num buraco qualquer. Rezei para que não passasse por mim ninguém conhecido. E descobri, à minha custa, por que motivo não se calçam sandálias em dias de chuva. Não, não é só para evitar que os pés se molhem. É porque as p*tas das sandálias não aderem ao piso molhado e, portanto, hoje fiz o percurso todo até ao escritório num misto de bailarina profissional no gelo, a deslizar pelo chão de calçada portuguesa como se não houvesse amanhã, e um jogador de hóquei em patins a tentar a todo o custo travar a fundo de forma a não se espetar contra os painéis publicitários!

Só a mim é que estas coisas me acontecem!

Este fim-de-semana foi...

... provavelmente, o melhor dos últimos tempos!

Saída de Lisboa, na 6.ª feira à tarde, rumo à Costa Vicentina. Como eu adoro a Costa Vicentina!
Raios de sol desabrochavam entre as copas das árvores para nos saudar à passagem. Imagens que ficam presas na retina e se transformam num quadro que só a nossa mente absorve...

Chegada à Arrifana, ao entardecer. Um pôr-do-sol entrosado com uma neblina fresca cumprimentaram-nos à chegada.
A praia, uma das mais belas que conheço, também esperava por nós...

Trago na memória a boa notícia à chegada... (parabéns C.)
... a simpatia com que nos brindaram no L-Colesterol...
... as noites escuras onde uma lua redonda e gigante foi sempre a verdadeira protagonista...
... o cheiro a urze, eucalipto e a mar...
... as garrafas de vinho que se evaporaram sem darmos por isso...
... entre conversas soltas, confissões vindas do nada, brindes e desabafos...
... os inúmeros momentos de partilha e de descontracção...
... o pó nos carros (adoro!) que serpenteiam as estradas de terra batida...
... a Carrapateira e a Praia do Amado...
... as aulinhas de surf...
... aquele ambiente fantástico e que me deixa tão feliz...

E regresso ao trabalho, assim, revigorada. Estava mesmo a precisar de um fim-de-semana assim...

2 de outubro de 2009

Desculpa mana

Eu não queria ter falado daquela forma. Aos teus olhos, agressiva e prepotente... Sei que odeias quando o faço. Mas tu também não facilitaste e não me deste outra hipótese.
E a agressividade e prepotência não existiram. Tu é que achaste que sim. 
Agora sei que estás triste e eu não queria.
Agora, sem saber bem porquê, pesa-me a consciência.

Às vezes esqueço-me que ainda não aprendeste a lidar com a entoação das minhas palavras. Talvez um dia sejas capaz de não levar tão a peito as coisas que te digo com a mais pura das leviandades...

1 de outubro de 2009


Cavalos. Bisontes. Mamutes.
São os seres que habitam o andar por cima do meu. 
Aka vizinhos...

...Que bem podiam ir passar umas férias para bem longe.
 Ou, simplesmente, calçar umas pantufas!

Ultimamente ando tão assustadiça...




... que, por diversas vezes, on my way home, na penumbra da noite, me assusto com a minha própria sombra reflectida no alcatrão cinzento.



O que não abona muito a meu favor... Medo, muito medo.

Pensar antes de agir (repetir 100 vezes)!


Pensem bem antes de tentar impressionar o vosso chefe com as horas a que saem do escritório. É que o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro e em vez de fazerem um brilharete por estarem a sair às nove e meia da noite, saem de lá com uma quantidade de trabalho que nunca mais acaba e que ainda por cima tem de ficar pronta para ... ontem!

É que só mesmo alguém muito BURRA para fazer isto. Assim alguém tipo EU...

30 de setembro de 2009

Inveja é coisa feia...



...mas é o que sinto quando me perco, horas e horas, em alguns dos blogs que moram aqui ao lado!

Vicissitudes de um grande escritório de advogados



A Directora dos RH: Então querida, é hoje o seu último dia aqui, não é? Já arrumou as suas coisinhas?

Ela: Não, claro que não. Está a falar de quê?

(silêncio)...


Nota: E foi mesmo o seu último dia! O sócio responsável do departamento é que, aparentemente, se "esqueceu" de lhe dizer... ups!



Às vezes dou por mim a falar sozinha.
E a responder(-me).
Assim do nada...

Tenho tantas saudades dos tempos pré-insanidade...


Um dos alunos do Curso de Escrita Criativa queixou-se que era demasiado sintético na sua escrita. Eu queixo-me do contrário. Raios! Nunca ninguém está satisfeito com aquilo que tem!


Foto daqui: http://angelitascardua.files.wordpress.com/2009/05/fita-metrica.jpg

Elogio ao amor



Se há coisa que me faz confusão é (quase) todos os dias receber a notícia de alguém que se separou ou está prestes a fazê-lo... Porque o amor acabou, porque as mentalidades mudaram, porque as prioridades passaram a ser outras, porque as discussões se tornaram rotineiras, porque o diálogo deixou de existir e, às vezes até, apenas porque sim. Ora, é precisamente isto que me faz confusão. As relações não deviam terminar apenas porque sim. Passo a explicar.

Eu sou daquelas pessoas que tem uma visão romântica (mas não exacerbada) do amor. E faz-me confusão que as relações amorosas das pessoas à minha volta terminem assim do nada, por vezes mais depressa do que começaram... Não é o acto em si (o de terminar, entenda-se) que me transtorna. Não é o facto de duas pessoas terminarem uma relação, de sua livre vontade, que me incomoda... Ninguém deve ficar prisioneiro de uma relação se não amar a outra pessoa. Eu acredito e, para mim, só assim faz sentido, que toda a gente tem o direito de pôr fim a algo que não o faça feliz nem o satisfaça seja a que nível for. Mas o que me transtorna mesmo é a displicência com que o fazem, a falta de espírito de sacrifício para, por vezes, continuar a batalhar só mais um bocadinho e tentar salvar um relacionamento que, provavelmente, teria tudo para dar certo...

O que me faz confusão é as pessoas desistirem à mínima adversidade, ao mínimo entrave apenas porque acham, de repente, que já não estão felizes e que a pessoa que têm ao seu lado já não as preenche. Porque perdem a consciência de que momentos maus existem em todas as relações e existirão sempre. Porque preferem, simplesmente, desistir... (em vez de fazer um pequeno esforço, tentando de forma consciente ultrapassar as pequenas adversidades com que se deparam). Apenas porque é muito mais fácil...

Não estou a generalizar nem o pretendo fazer. Bem sei que cada caso é um caso. Estou apenas e tão-só a falar de casos concretos, de situações que me são familiares. E apeteceu-me escrever este post porque fico triste com todas estas situações que se passam à minha volta.

Porque o amor merece muito mais e não devia ser tratado com desprezo e vivido com leviandade... Porque o amor também significa sofrer (muitas vezes em silêncio) e bater com a cabeça nas paredes. Mas significa também partilhar, dividir e multiplicar e, principalmente, perdoar. E saber ceder e dar de si. Mais do que se espera poder vir a receber em troca...

Seguidores

moranguinhos

Este blog possui actualmente:
Comentários em Artigos!
Widget UsuárioCompulsivo