Eu não sou uma pessoa preconceituosa. Já fui, em tempos. Já julguei outras pessoas apenas pela sua aparência, pela sua maneira de pensar e de estar na vida. Pela roupa que vestiam, pelos acessórios que as denunciavam, pela cor de cabelo até... Na altura em que era uma adulta demasiado infantil, centrada no meu mundinho perfeito e alinhado, demasiado certinho e irritante. Entretanto cresci, arrumei as palas laterais no fundo do baú e tornei-me uma pessoa mais tolerante.
Hoje dou por mim a saber o que é ser julgada. A ser olhada de lado e criticada por trabalhar num escritório de advogados e não ter sequer o cuidado de esconder a tatuagem que todos os dias trago cravejada no pulso [vejam bem a ousadia] . Ou por usar as unhas pintadas de azul metalizado [onde é que eu estava com a cabeça?!?]. Para mim, é-me indiferente. Quanto mais os choco mais me apetece provocá-los. Mas faz-me ter consciência de como mudei. E de como odeio hoje o que outrora já fui. E de como a idade, realmente, traz atrelada a si a sabedoria...























