28 de outubro de 2009

Ausência (in)justificada



Não, não vou justificar a minha ausência. A ausência que me tem afastado de mim e daqui e do mundo que me rodeia... que me tem toldado o pensamento como se, por osmose, se incorporasse numa garrafa de um qualquer vinho tinto e me obrigasse a sorvê-lo lentamente ...

Esta ausência que me deixa triste e insegura... e me retira as emoções. Que me transforma num autómato e me faz passar pelas coisas sem as conseguir sentir. Que me faz perder a capacidade de apreciar e assimilar o que a vida tem de bom. Que faz o meu corpo avançar sozinho, errante, sem destino nem direcção...

Às vezes tenho a sensação que me perdi algures no caminho. Que existe alguma parte do percurso onde trocaram as setas de orientação e me fizeram percorrer o trilho errado... Que me obrigaram a andar à deriva. Até agora.

Dias há em que volto atrás [julgo eu] e retomo a direcção correcta. Outros em que, inconsequente e despreocupadamente, sigo em frente. Dias em que simplesmente caminho e em que, de uma forma rotineira e mecânica, faço tudo aquilo que é suposto fazer. Durmo, alimento-me, trabalho e executo as tarefas básicas do dia-a-dia. Regresso a casa e durmo outra vez. Acordo no dia seguinte e é tudo igual...

E eu quero mais que isto. Quero voltar atrás no percurso e seguir o trilho correcto. [às vezes é preciso andar para trás para poder seguir em frente.]

Ou então não. Perante a impossibilidade de conseguir regressar ao sítio certo ou face à eventualidade de o mesmo já nem sequer existir, o melhor mesmo é construir o meu trilho a partir daqui. A partir do agora.

E, portanto, eu vou em busca da felicidade pura. Mas com toda a emoção do mundo.
E vou pôr sentimento em tudo aquilo que faço porque só assim conseguirei absorver a essência de todas as coisas. Vou voltar a sorrir infantil e despreocupadamente. Deixar de me preocupar com o que os outros pensam de mim. Vou ser mais tolerante e compreensiva. Vou deixar de ser insegura e complexada. E não vou deixar que a tristeza e a apatia me suguem a alma. Vou seguir em frente, determinada e de cabeça erguida, e fazer tudo o que me der na real gana.
Sem me preocupar com as consequências.

Porque quero... andar descalça quando me apetecer e tomar banhos de mar no Inverno, nas praias desertas de gente... sentir a água fria a gelar-me os ossos e a purificar-me a alma... passar noites sem dormir só para ver o nascer do sol... dormir ao relento na relva húmida, a suspirar com as estrelas... meter-me dentro do carro e viajar sem destino só porque sim. Sem justificações.... viver sem arrependimentos e sem sentimentos de culpa

E quero absorver todos os sorrisos e energias positivas à minha volta e distribuí-los em triplicado!

E, quando chegar o dia, vou olhar para trás e arrepender-me de mil e uma coisas. Mas nunca de ter vivido intensamente! Com toda a emoção do mundo...


Imagem: http://br.olhares.com/ausencia_foto848525.html


Artista: u m b r i a

2 comentários:

Mãe Inês disse...

É bom "ler-te" de volta. Tenho andado muito ausente também, mas por questões de trabalho, mas todos os dias tento picar o ponto nos Blogs do costume e estava a estranhar...

Miss Strawberry disse...

Obrigada, Mãe Inês! Precisei de uma pausa para pôr as ideias em ordem...

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